Projeto Disco de Cera
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O Projeto “Meio Século da MPB - Disco de Cera“ foi aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura e patrocinado pela Petróleo Brasileiro S.A. através do Programa Petrobras Música 2002. Iniciou no mês de março de 2004 e finalizou em outubro de 2005.

Consistiu na digitalização de 22 mil discos de cera (78 rpm) do Museu Cearense da Comunicação - Arquivo Nirez, pertencente ao colecionador e pesquisador de música brasileira Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez . O projeto realizou-se em Fortaleza/Ceará.

Nirez. Foto: Raimundinho, 2005


Como previsto no projeto, foram desenvolvidas as seguintes atividades:


Higienização dos discos

Utilizou-se um meio mecânico-manual para a higienização individual dos discos. Após análise dos discos, duas técnicas em higienização trabalharam durante 11 meses, 4 horas diárias em turnos alternados (segunda à sexta) produzindo em média 160 discos ao dia. A solução utilizada foi água filtrada e sabão neutro, na proporção de cinco gotas do sabão para 3 litros de água.


Higienização dos discos (Análise) Foto: Raimundinho, 2005


Em pilhas de 10 em 10 os discos foram primeiramente retirados dos invólucros antigos e com lápis 6B (macio) escreveu-se o número do disco na nova capa.

Reservadas as capas, mantendo-se a ordem do número, os discos foram mergulhados (10 em 10 discos) em um recipiente com a solução acima citada, permanecendo cerca de 3 minutos, para amolecer as sujidades.

 Levando-se individualmente os discos para um pick-up elétrico adaptado ao trabalho, as técnicas com uma escova de dentes de cerdas bem finas e com o aparelho ligado, ou seja, com o disco girando, corriam a escova pelo disco (ver foto) por todo o sulco, e com um algodão ou esponja limpos, colocados atrás da escova, retirou-se o excesso da água juntamente com a sujidade do sulco. Repetindo-se o processo até que o disco estivesse totalmente limpo. Fazendo-se o mesmo do outro lado do disco, se fosse o caso.


Higienização dos discos no pick-up adaptado. Foto: Myreika Falcão, 2005


Após a lavagem levou-se cada disco para um escorredor onde permaneceram por 24 horas até que a secagem estivesse totalmente completa. Finalizado assim o processo de higienização (foto abaixo).


Discos secando, após lavagem. Foto: Myreika Falcão, 2005


Mudança das capas e aplicação de etiquetas com logomarca dos patrocinadores do projeto

Simultaneamente à etapa de higienização, as capas antigas dos discos foram substituídas por novas, todas etiquetadas (foto abaixo) com a logomarca dos patrocinadores do projeto Petrobras e Ministério da Cultura. Só então os discos foram levados de 10 em 10 para o estúdio para então iniciar-se o processo de digitalização propriamente dito.


Capas dos discos com etiquetas do MINC e Petrobras. Foto: Myreika Falcão, 2006


Novas capas dos discos para receberem  etiquetas do MINC e Petrobras. Foto: Myreika Falcão, 2006



Digitalização e edição dos fonogramas

Utilizando-se o software Pro-tools e o I-tunes, três técnicos em áudio, após treinamento e com assessoria da Cia de Audio/SP, revezaram-se durante 10 meses nos períodos da manhã, tarde e noite (segunda à sábado) para alcançar a ousada façanha de converter de analógico para digital os mais de 44 mil fonogramas dos discos de cera do Arquivo Nirez.


Técnico trabalhando Foto: Andrea Vasconcelos, 2006


Estúdio de gravação Foto: Myreika Falcão, 2005


Metodologia de trabalho

Obedecendo a ordem alfanumérica de organização da coleção (ver foto de estantes dos discos, abaixo) ou seja, gravadoras organizadas por ordem alfabética (ver listas de na página Músicas - Banco de Dados) e dentro das gravadoras, os discos organizados por ordem do número do disco, ex:. Gravadora Columbia, discos 1002AB, 1003AB, 1004AB, etc.; cada disco, após passar pelo processo de higienização e ser arrumado em pilhas de 10 em 10, foram tocados/digitalizados um a um, em tempo real, utilizando-se o software Pro-tools para captura do sinal analógico e conversão em digital. Ao mesmo tempo tiravam-se os ruídos (após amostragem escolhida de tiragem de chiado de acordo com a década do disco e escolha da agulha). Anotava-se então em um caderno o número do disco, a matriz e a gravadora correspondente a cada fonograma trabalhado. Para cada página do caderno, que correspondia a um CD, escrevia-se uma lista de aproximadamente de 26 a 32 faixas (cda), aproximadamente 72 minutos. Isso correspondia a uma sessão que se encerrava após o fechamento do CD, para iniciar-se outra. Fazendo-se aproximadamente 15 CDs diários, o equivalente à 500 músicas. A seguir armazenava-se os dados produzidos em uma semana no HD do Macintosh (conectado ao pick up).


Estantes dos discos (um lado da sala) Foto: Myreika Falcão, 2006 


Um dia na semana foi eleito para se fazer a conversão para mp3 e se queimar os CDs com backups nos dois formatos (CDA e MP3). Neste dia parava-se a produção, até que todos os CDs fossem queimados com a produção semanal, aproximadamente quarenta CD. Criou-se um número de ordem para os CDS de backup (CD00001) e nas caixinhas, para melhor controle e organização, incluindo-se uma capa com a listagem por título e número da faixa correspondente.


Folder promocional do projeto

O folder promocional do projeto foi desenvolvido por um designer juntamente com a equipe que dele participou, que através de sugestões, revisões, melhoramentos e após a aprovação do gerente de patrocínio da Petrobras (profissional responsável em acompanhar o andamento do projeto) tirou-se cópia de 1000 (mil) exemplares, os quais foram distribuídos entre os visitantes do Museu, algumas autoridades, instituições brasileiras e imprensa em geral.



 

Folder do Projeto Disco de Cera




Contrapartida Social do Projeto

No projeto foram treinados dois adolescentes da ONG Instituto da Cidade, de Fortaleza, que durante um período de um mês receberam noções de digitalização e edição de áudio, utilizando o software Pro-tools (Macintosh), e o I-tunes. Tiveram também explicações sobre a história da música brasileira, além de acesso a uma biblioteca especializada em música brasileira, com livros, catálogos, jornais, revistas etc., relacionados a história da gravação sonora, além de noções de conservação, higienização e acondicionamento de discos.

Durante um mês, aproximadamente 150 alunos, da escola pública municipal "Centro dos Retalhistas", visitou o Arquivo Nirez, divididos em 8 turmas, onde participaram de oficinas sobre o Projeto Disco de Cera, entendendo o processo de digitalização e edição de áudio, higienização, conservação e organização dos discos de cera, além de uma visita ao Museu Cearense da Comunicação. (fotos abaixo)

Fotos: Andrea Vasconcelos, 2006












  

 

 

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